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Escassez de laboratórios de ciências nas escolas brasileiras limita interesse dos alunos pela física

Despertar o interesse dos estudantes para as aulas de física não é uma tarefa trivial. O professor se vê em uma aparente encruzilhada: como cumprir o programa e evitar que o aluno seja massacrado por pesadas aulas teóricas? Como prepará-lo para o vestibular e, ao mesmo tempo, atraí-lo com um conhecimento contextualizado, que ponha em perspectiva as aplicações da física?

De acordo com professores e especialistas no ensino de física, há uma alternativa especialmente eficaz para combater a excessiva abstração que mina o interesse dos alunos: as aulas experimentais. O problema é que essas aulas exigem laboratórios, que ainda são escassos no país. Cerca de 27 milhões de estudantes – o equivalente a 70% dos alunos do ensino básico – estudam em escolas públicas e privadas desprovidas de laboratórios de ciências.

Dados do último Censo Escolar do Ministério da Educação mostram que 57,4% dos alunos matriculados no ensino médio estudam em escolas com laboratório de ciências (51,3% das escolas); no ensino fundamental, 25,2% das escolas atendem a 33,4% do total de alunos com esse equipamento. Nos anos iniciais, são 15,7% das escolas com laboratórios.

O problema limita não apenas o ensino de física, mas o de química e de biologia. Em 2006, foi proposto no Congresso Nacional um projeto que obrigaria todas as escolas públicas de ensino fundamental do país a manter laboratórios de ciências e de informática, que seriam construídos com recursos do orçamento da educação. O projeto tramitou até 2011, quando foi arquivado na mesa diretora da Câmara dos Deputados.

O Brasil é o 63º colocado em ciências entre 70 países que participaram do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) em 2015. Segundo especialistas em educação científica, como Cleci Werner da Rosa, da Universidade de Passo Fundo (RS), as aulas experimentais de fato desempenham um papel fundamental na compreensão da física, motivando os alunos. “A atividade experimental tem esse caráter, articulando conhecimentos que, muitas vezes, são dissociados e divergentes”, explica.

Fonte: Revista Educação

Por | 2017-08-03T23:30:51+00:00 agosto 17th, 2017|Educação, Laboratório educacional|0 Comentários

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