Ao longo de um período de quase dois anos, funcionários de uma grande fabricante nacional de cosméticos mapearam cerca de 962 processos da extração de matérias-primas até a produção e distribuição dos mais de 2 500 produtos da empresa. Nessa fase, o objetivo era reunir um volume significativo de informações que permitissem calcular, com o máximo de precisão, o impacto ambiental de cada uma dessas atividades.

O levantamento serviu para que a empresa, pela primeira vez, aferisse o valor em dinheiro do impacto provocado pela sua operação durante o período de um ano. Resultado: um dano ambiental de 132 milhões de reais. Este número representa quanto suas intervenções na natureza prejudicam de diferentes maneiras o bem-estar da população e, em última instância, representam custos financeiros para a sociedade. Os exemplos vão desde gastos com saúde decorrentes da poluição atmosférica e hídrica gerada pela empresa até a desvalorização imobiliária provocada na região em que há um lixão.

Empresas estrangeiras também se mostram preocupadas com os danos ambientais. O grupo francês Kering, por exemplo, passou a calcular o impacto ambiental em dinheiro de toda a sua operação que reúne 19 marcas esportivas e de luxo, incluindo empresas como Puma, Gucci e Saint Laurent. O último balanço revela que o grupo, que fatura mais de 11 bilhões de euros, foi responsável por um dano ambiental de 811 milhões de euros. Ao tornar público o valor do impacto que geram, essas empresas não pretendem apenas instigar uma discussão teó­rica. O objetivo principal é usar os dados para gerir riscos e utilizá-los como referência para melhorar ao longo dos anos.